Desculpem, amigos,
mas o Curso de Roteiro foi cancelado...
Não houve quórum suficiente (25 vagas), apenas metade se inscreveu e a faculdade precisa de pelo menos 20 alunos.
De qualquer forma, agradeço muito ao interesse dos que se inscreveram, e à Casper, que abriu novamente este espaço para repetirmos a experiência que já foi boa em janeiro/2010.
Mas o curso está pronto, redondo - considero apenas adiado.
abraços grandes...
segunda-feira, 12 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Curso de ROTEIRO DE HQ na Cásper Líbero

Atendendo a sugestões de alunos do nosso curso de janeiro, em julho o foco será a criação e desenvolvimento de ROTEIRO DE QUADRINHOS.
É sobretudo uma época interessante para abordar este assunto, porque no momento estou envolvido na adaptação de "As Barbas do Imperador" de Lília Schwarcz e, justamente, organizando idéias e informações em uma estrutura narrativa gráfica. Todas as questões relacionadas a contar visualmente uma história estão muito presentes para mim, e penso que é uma boa oportunidade para registrar e partilhar alguns insights e métodos que desenvolvi a respeito.
Planejo fazer aulas práticas, com alguma informação teórica e exercícios feitos em classe para fixar conceitos. Os alunos receberão uma apostila com o conteúdo das aulas, e amostras dos meus roteiros de "Santô", "Jubiabá" e outras HQs.
Até certo ponto, o conteúdo do curso se aplica a qualquer tipo de roteiro ou script, para cinema, teatro etc, porque falaremos da arte de contar histórias; depois, vamos afunilando, para problemas específicos da linguagem da HQ, como a divisão de uma cena em imagens e o planejamento de uma página.
Não é necessário ser desenhista para acompanhar o curso, mas certamente o roteirista de HQ precisa ser capaz de pensar em como seu roteiro chegará ao leitor, em forma de página impressa. Tem que conhecer e gostar de HQ para escrever um roteiro e planejar quanto texto cabe num balão, por exemplo.
Este é o programa das aulas:
aula 1. CONCEITOS GERAIS- a arte de criar histórias (em teatro, cinema, literatura, poesia, HQ etc)- o roteiro formatado para HQ: a representação do tempo e do espaço nos quadrinhos.
aula 2. CRIAÇÃO- A criação como descoberta e reconhecimento.- de onde vem uma idéia? como desenvolver uma história a partir de qualquer elemento potencial.
aula 3. ESTRUTURA DO ROTEIRO- formatos universais e modelos de roteiro (três atos, modelos e esquemas).- estruturas atemporais (família, grupo, universo, matriz de histórias).
aula 4. CENAS E DIÁLOGOS- do abstrato ao concreto: a estrutura da história é transformada em uma sequência de momentos presentes, chamados "cenas".- para criar ações e diálogos, o autor converte-se em ator e/ou espectador.
aula 5. DECUPAGEM- a divisão da cena em momentos e imagens.- a composição da página e a representação da experiência humana: tempo objetivo, tempo subjetivo, narração dos acontecimentos e estados emocionais.
aula 6. ROTEIRO BASEADO EM FATOS HISTÓRICOS E REALIDADE- oportunidades e limitações que a realidade oferece.- encontrando numa sequência de fatos uma estrutura ficcional.
aula 7. ADAPTAÇÃO DE LITERATURA PARA QUADRINHOS- conhecendo um autor e seu mundo; sua personalidade, marca pessoal, estratégias de escrita;- como simplificar sem perder o essencial: necessidades da adaptação, perdas e ganhos.
As aulas serão de 19 a 27 de julho de 2010, das 19:00 às 22:00.
A Faculdade Cáper Líbero fica na avenida Paulista, 900, entre as estações Trianon-Masp e Brigadeiro, da linha verde do metrô.
Veja localização aqui.
As inscrições podem ser feitas no Centro de Eventos Cásper Líbero, nos telefones (11)3170-5910 e (11)3170-5911, ou pelo site
http://www.casperlibero.edu.br/noticias/index.php/2009/12/04/curso-roteiro-de-hq,n=1836.html
sexta-feira, 12 de março de 2010
Glauco - adeus do Spaccolino

Glauco era uma figura.
Trabalhamos lado a lado, desde que entrei para a Folha em 1985.
A partir de 86 comecei a fazer charge política, e alternamos naquele espaço até 92.
Glauco era um dos "filhos do Henfil", jovens cartunistas que durante um tempo cresceram sob as asas do mestre mineiro (os outros eram Nilson e Laerte). Glauco e Nilson moraram na casa do Henfil, inclusive.
Ele conservava a irreverência e a rapidez do traço do Henfil, mas aquilo era dele.
A genialidade era dele. Tinha um humor maroto, meio caipira, que era dele mesmo, e da família dele e da cidade dele, Jandaia do Sul no Paraná. O Pelicano, irmão do Glauco, tem o mesmo talento (o roteiro da HQ do Laerte em que o cara é atropelado usando a calcinha da mulher é do Pelicano). Glauco me dizia que na cidade dele todo mundo era engraçado, o barbeiro, todo mundo. Num lançamento em que vi a família dele, tive essa impressão, eram bem gozadores e moleques, tinha que ficar esperto...
Abaixo, uma charge do Glauco na Folha (06/jan/1986) em que eu desenhei o prefeito Jânio Quadros.

Algumas marcas do Glauco podem ser vistas no desenho acima:
1. o absoluto 2D. Desenho egípcio, chapado, bidimensional. Nestes tempos de louvação do 3D isto merece ser resgatado.
2. a passagem brusca de um quadrinho para o outro. Mudanças rápidas. Grande senso de tempo. Pá-pum. Pano rápido.
3. idéia muito direta, sem frescura.
4. Movimento frenético e congelado ao mesmo tempo; bracinhos e perninhas multiplicados, com o mesmo peso (não é que um é presente e o outro é passado, rastro; os membros se multiplicam mesmo).
5. Uma certa singeleza caipira, maroto e envergonhado, malícia de Jeca.
Ele lembrava de umas coisas constrangedoras e bregas, daquelas que todo mundo sabe mas ninguém fala: complexos, traumas, briga em família, ciúmes, inseguranças. A coletânia de tiras "Abobrinhas da Brasilônia" traz umas coisas assim.
Ele me disse que escolheu o nome "Geraldão" para o seu personagem porque ele era "geral", era todo mundo e era qualquer um. Era um humor muito próximo da gente, que escancarava intimidades. Coisas muito comuns, de classe média pobre, como a tábua de passar roupa e as malas em cima do armário, da mãe do Geraldão.
Nesse próximo desenho, dá pra ver alguns truques que eu pegava do Glauco: a simplicidade, o movimento da faca tríplice - super movimento e ao mesmo tempo uma imagem congelada no tempo, a perna em forma de garrancho já lembra mais o Fradim do Henfil.

Encontrei no meu baú o rascunho abaixo (prontíssimo para receber o nanquim).
Acho que é uma idéia recusada pela Folha.
Sacanagem + singeleza.
Professor de marotagem, de molecagem, de sem-noçãozagem.
Valeu, pangão...
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