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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Anita, HQ em Pauta e Nova Olinda - entrando em agosto com o pé direito

Fim de semana agitado na HQ nacional...



Em 31 de julho e 01 de agosto de 2010 acontece a segunda edição do HQ em Pauta -Encontro de profissionais e leitores de Histórias em Quadrinhos.

Participam os quadrinhistas Eddy Barrows (Superman), Felipe Massafera (Jambocks), Danilo Beyruth (Necronauta), Eloar Guazzelli (O pagador de promessas) Laudo Ferreira Jr. (Yeshuah) e este que vos tecla;
os jornalistas, escritores e roteiristas Paulo Ramos (Bienvenido – Um passeio pelos quadrinhos argentinos), Gonçalo Jr. (A Guerra dos Gibis), André Morelli (Super-Heróis nos Desenhos Animados), Edson Rossatto (História do Brasil em Quadrinhos), Marcelo Naranjo (Universo HQ) e Jota Silvestre (Revista Mundo dos Super-Heróis);
e os editores Maurício Muniz (Gal), Levi Trindade (Panini) e Cláudio Martini (Zarabatana).

Farei no sábado à tarde (14:30) uma palestra sobre a criação de personagens ("O personagem de quadrinhos: simulacro da realidade") - aliás, é o mesmo espaço onde tem exposição de originais desde 01 de julho.

A Biblioteca de Literatura Fantástica Viriato Corrêa fica na Rua Sena Madureira, 298 – Vila Mariana – São Paulo, próxima ao metrô Vila Mariana.
Confira abaixo a programação do HQ em Pauta ou vá ao site http://www.hqempauta.com/



Logo mais à noite, 31/7 a partir das 19:30, a apenas três estações de metrô, será o lançamento de ANITA GARIBALDI, O Nascimento de Uma Heroína, por Custódio.

Acompanhei a saga dupla - da Anita e do Custódio - e o álbum ficou um primor.
Fazer um álbum de HQ é uma espécie de rito de iniciação (ou batismo de fogo, ou maratona...) que eu conheço mais ou menos; HQ histórica, então...



Para comemorar, Custódio está fazendo uma Pizzada temporã na Prestíssimo, que tradicionalmente abrigou as últimas nove "Pizzadas dos Cartunistas".
Mais detalhes no blog do Custódio http://www.anitagaribaldi.com/

Dia 31/07/2010, a partir das 19:30hs na Pizzaria Prestíssimo, Al. Joaquim Eugênio de Lima, 1135 (descendo da avenida Paulista, próximo ao metrô Brigadeiro).

E na semana seguinte...



...estaremos voando para o Ceará, participar do evento "Cariri mostrando a nona arte de quadrinhos” em Nova Olinda, região do Cariri, promovida pela Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri.

Sobre este evento, que será em 06, 07 e 08 de agosto, farei um post-reportagem mais completo quando voltar.

Mas adianto que participarei de uma conversa com o quadrinhista Jô Oliveira e a quadrinhóloga Sonya Luyten no primeiro dia, dois dos 29 convidados do Brasil, Portugal e Canadá; e de uma oficina no dia seguinte.
Confira a programação aqui.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Glauco - adeus do Spaccolino


Glauco era uma figura.
Trabalhamos lado a lado, desde que entrei para a Folha em 1985.
A partir de 86 comecei a fazer charge política, e alternamos naquele espaço até 92.

Glauco era um dos "filhos do Henfil", jovens cartunistas que durante um tempo cresceram sob as asas do mestre mineiro (os outros eram Nilson e Laerte). Glauco e Nilson moraram na casa do Henfil, inclusive.
Ele conservava a irreverência e a rapidez do traço do Henfil, mas aquilo era dele.
A genialidade era dele. Tinha um humor maroto, meio caipira, que era dele mesmo, e da família dele e da cidade dele, Jandaia do Sul no Paraná. O Pelicano, irmão do Glauco, tem o mesmo talento (o roteiro da HQ do Laerte em que o cara é atropelado usando a calcinha da mulher é do Pelicano). Glauco me dizia que na cidade dele todo mundo era engraçado, o barbeiro, todo mundo. Num lançamento em que vi a família dele, tive essa impressão, eram bem gozadores e moleques, tinha que ficar esperto...

Abaixo, uma charge do Glauco na Folha (06/jan/1986) em que eu desenhei o prefeito Jânio Quadros.



Algumas marcas do Glauco podem ser vistas no desenho acima:
1. o absoluto 2D. Desenho egípcio, chapado, bidimensional. Nestes tempos de louvação do 3D isto merece ser resgatado.

2. a passagem brusca de um quadrinho para o outro. Mudanças rápidas. Grande senso de tempo. Pá-pum. Pano rápido.

3. idéia muito direta, sem frescura.

4. Movimento frenético e congelado ao mesmo tempo; bracinhos e perninhas multiplicados, com o mesmo peso (não é que um é presente e o outro é passado, rastro; os membros se multiplicam mesmo).

5. Uma certa singeleza caipira, maroto e envergonhado, malícia de Jeca.
Ele lembrava de umas coisas constrangedoras e bregas, daquelas que todo mundo sabe mas ninguém fala: complexos, traumas, briga em família, ciúmes, inseguranças. A coletânia de tiras "Abobrinhas da Brasilônia" traz umas coisas assim.

Ele me disse que escolheu o nome "Geraldão" para o seu personagem porque ele era "geral", era todo mundo e era qualquer um. Era um humor muito próximo da gente, que escancarava intimidades. Coisas muito comuns, de classe média pobre, como a tábua de passar roupa e as malas em cima do armário, da mãe do Geraldão.

Nesse próximo desenho, dá pra ver alguns truques que eu pegava do Glauco: a simplicidade, o movimento da faca tríplice - super movimento e ao mesmo tempo uma imagem congelada no tempo, a perna em forma de garrancho já lembra mais o Fradim do Henfil.




Encontrei no meu baú o rascunho abaixo (prontíssimo para receber o nanquim).
Acho que é uma idéia recusada pela Folha.
Sacanagem + singeleza.
Professor de marotagem, de molecagem, de sem-noçãozagem.
Valeu, pangão...

segunda-feira, 8 de março de 2010

A Turma da Mônica X o Direito dos Napões



Os desenhos que ilustram este post foram feitos por mim, por volta dos 11-12 anos de idade.

Eu já sabia que seria desenhista profissional, meu sonho era ter uma família de personagens como os três maiores criadores da minha infância: Disney, Lobato e Maurício.
(Estes 3 nomes são apenas os que mais se destacavam, porque teve literalmente centenas de desenhos animados, gibis e artistas que me marcaram e até hoje me inspiram).

Na semana passada (01/03/2010) um artigo no Observatório da Imprensa, órgão em que publico meus desenhos, fez uma análise-ataque à Turma da Mônica e seus supostos efeitos sobre o comportamento das crianças, incitando-as à violência e ao preconceito.

O artigo de Dioclécio Luz foi um sucesso de público. Até o momento me que escrevo, já chegaram 168 comentários no Observatório, a imensa maioria de fãs indignados, fora os que se manifestam nos blogs que analisam a análise, o Championship Vinyl e o Diogo Salles (só vi esses, deve ter muito mais). No próprio Observatório há uma boa resposta de Emmanuelle Najar.

Estes desenhos já ilustram bem minha preferência, e há pouco o que acrescentar às críticas e respostas ao artigo. A maioria das críticas são, logicamente, desordenadas, cheias de ataques pessoais ao jornalista, do tipo "esse cara não teve infância" etc.
E é assim mesmo que devem ser! Saber analisar é o que se espera de profissionais preparados para escrever, não de leitores. O fã, o leitor "sente" e se manifesta com paixão. E não é um protesto menos legítimo por isso.



Já destrinchar o artigo é muito complicado: a análise de uma análise exige que a gente mostre, a cada linha, onde o autor se perdeu ou afirmou coisas sem base.

E é muito desestimulante hoje em dia, pois periga do autor replicar - e já que na primeira análise ele analisou mal, distorceu e pegou a parte pelo todo, certamente irá fazer isso de novo na tréplica. E vai pegar um pedacinho da análise e contestar, e generalizar...

enfim, sou muito descrente de uma análise verdadeira, com o objetivo de entender e aprender, que não seja feita individualmente ou entre umas poucas pessoas dispostas a conhecer, não a vencer o outro.
Esse tipo de debate com réplicas e tréplicas tem mais a ver com marcar posições e tentar conseguir aprovação do público. Enfim, não é jornalismo, é confronto de sofistas - é política.

Contudo, quero cautelosamente expor minha visão sobre o assunto.

Digo "cautelosamente" porque fácil, fácil isto vira uma grande confusão.
Só para explicar os termos "direita" e "esquerda" como se deve, já seria preciso uma "aula" bem extensa, que a maioria não teria paciência para acompanhar. No dia em que eu fizer um manual de "como fazer charge" haverá uma introdução à política e uma tentativa de desfazer mitos e frases feitas.

Neste momento não dá; só vou falar um pouquinho sobre a Turma da Mônica e o artigo do Dioclécio, tentando mostrar algum aspecto novo, e tentarei ser econômico - na esperança de, quanto menos falar, menos confusão eu cause.




Vamos lá:

1. o artigo de Dioclécio não é uma opinião pessoal.

É importante ter isto em mente.
O jornalista está apenas aplicando conceitos em voga no "superego" da vida intelectual pública.

O politicamente correto não está presente apenas nos setores educacionais: basta assistir ao Fantástico para receber "aulas de cidadania" contra o preconceito, a homofobia, a obesidade, o tabagismo, em prol do consumo consciente e do ecologicamente correto.
Não são apenas idéias que se disseminam naturalmente, ou uma tendência de nossa época: são políticas públicas colocadas em prática. Os comunicadores que desafiam essas normas estão sujeitos a multas e a sair do ar.


Sempre teve uma "casta de sacerdotes" controlando a arte e a informação. Ora religiosa, ora leiga, ora composta de generais e censores, ora de jornalistas e educadores, quando não de artistas engajados.
Antigamente a pressão dos controladores era para defender a pátria, hoje é o planeta.
Por isso a discussão é muuuuito complicada; é um emaranhado de argumentos e justificativas tão instalado na cabeça das pessoas, o politicamente correto já está tão integrado na paisagem que fica invisível.


Dráusio Varela acaba de pedir uma lei que proíba o uso de cor na embalagem de cigarros.
São ações assim, na superfície bem intencionadas e na defesa da saúde e dos direitos, que reforçam o poder governamental de ampliar o controle do comportamento dos governados.

Só daqui a algumas décadas - se esta ideologia for vencida por outra melhor ou pior - ficará mais fácil de perceber o espírito desta época, assim como os paletós laranja e a calça boca-de-sino ficaram ridículos quando passou a moda. Aí o patrulhamento do Politicamente Correto será equiparado à Caça às Bruxas do McCartismo e outras formas de ajustamento social compulsório.
(que, aliás, qualquer sociedade tem, quase todas muito ridículas e injustas).

Voltando: o artigo não é opinião pessoal, não é fruto de uma análise ou tentativa de entendimento.
Ele só aplica à Turma da Mônica um esquema cognitivo automático, um sistema de análise mecânica, que faz parte de uma estrutura de controle social em pleno funcionamento há duas décadas.

Esse estado de coisas e não deu sinal ainda de retroceder - mas nada fica pra sempre.



2. a Turma da Mônica já é mais comportada do que devia.


Inicialmente, e por vocação natural, a Turma da Mônica é entretenimento.
E realiza tudo aquilo que uma boa ficção faz e sempre fez, desde os contos de fadas.
É feita para prender a atenção, para emocionar e, dizem os psicólogos, promovem benefícios psicológicos como a "catarse" (traduzindo: o "lavar a alma" quando o Bem depois de sofrer bastante vence o Mal, por exemplo).


Mas também integra um grande negócio de merchandising, como o universo de George Lucas.
Nesse sentido, a criação não consegue se manter puramente ficção: os personagens se destacam da história e viram símbolos engraçadinhos.

Para poderem ser associados a produtos infantis, os personagens e suas histórias já precisam ceder a pressões do relacionamento do dono da franquia com seus clientes. E assim as histórias já começam a ser vigiadas para que se evite agressões à família, às religiões, menções à política etc.

Eu comparo as histórias que eu mais gostava, do início da Turma (HQs de Horácio na Folhinha e primeiros anos da revista da Mônica) e constato as diferenças. Ficaram mais leves, menos profundas. Talvez mais engraçadas, ou puramente engraçadas. "Maurício" se torna um "selo de qualidade", uma garantia de que os pais estão adquirindo entretenimento saudável para seus filhos.


Agora, do outro lado, vem a pressão da "cidadania". A Turma da Mônica continuou a fazer ajustes, tem personagem cadeirante, deficiente visual, todos os personagens desenvolveram "facetas úteis" para mostrar, publicamente, que podem ajudar a formar adultos responsáveis e conscientes...


Quão longe nós estamos da boa ficção, da arte de criar e contar boas histórias!


As pressões "da direita" (como se mercado fosse a direita, mas vá lá) e as da esquerda exigem que o personagem seja, acima de tudo, modelo de comportamento.
Preocupam-se com a influência da HQ sobre o comportamento da criança - como se ela já não estivesse sob a ação de inúmeros outros modelos de comportamento reais e presentes, os pais, as outras crianças individualmente, o grupo de crianças da escola (como nas prisões, há uma cultura que se herda e perpetua nas escolas, todo um jogo de provas e humilhações que o grupo impõe ao iniciante; acreditar que o "bullying" seja causado pelos gibis é ignorar esta dinâmica social real).


Os autores sabem que assim não se cria boa arte nem boas histórias; os leitores sabem, sentem quando histórias e personagens são falsos quando se transformam em marionetes numa aula de moral e cívica.

===


Bem, está bom já, vou ficar nesses dois tópicos.


Não vejo como enfrentar isso; talvez com um batalhão de psicólogos interpretadores "do bem" que provem que não há ligação direta entre a violência do Tom e Jerry e o massacre de Columbine (roubei a comparação do meu colega Marcelo Martinez).


Enquanto artistas, podemos espernear quando possível, desafiar a censura frontalmente e esperar o castigo, ou fazer protestos simbólicos e disfarçados. Esta saída costuma ser estimulante para os criadores e transforma a arte num enigma para iniciados.

Ou ainda, pisar em ovos e tentar satisfazer gregos, troianos e pandorianos, como Maurício e James Cameron. A ficção sofre, e os ajustes nunca satisfazem completamente os vigias da cidadania.


A grande sátira ao coletivo já foi feita pelo Maurício na história em que Horácio conhece os Napões. Uma história surreal, em que uma comunidade de sáurios, cansados da vida civilizada que levam, tenta transformar o tiranossaurinho vegetariano em carnívoro. Daí acabam brigando pelo direito de ser comido primeiro.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

YESHUAH - o Natal segundo Laudo



Foi durante o I PQP - Primeiro Papo de Quadrinhos de Petrópolis, em julho de 2009 - que Laudo Ferreira me mostrou os originais em A3 de Yeshuah, sua biografia não-autorizada de Jesus, que acaba de ser lançada pela Devir.

Fiquei muito impressionado. Já conhecia a produção de Laudo nas HQs históricas, na Tianinha e algumas páginas do Clube da Esquina. Até então, achava-o versátil e competente, mas perto de Yeshuah são trabalhos apressados, onde se nota que o desenhista precisou cumprir prazos sempre muito apertados.

Em Yeshuah, porém, cada página possui muita força gráfica, é visível a elaboração requintada, o envolvimento profundo do artista (que contou com a arte-final de seu parceiro Omar Viñole).
Até por isso, estranhei o formato (16 X 24cm), queria o maior possível. Já nosso anfitrião no PQP, André Diniz, disse preferir esse formato. Pensando bem, foi nesse tamanho que li o "Cavaleiro das Trevas" 12 vezes. Vai ver que a idade está me obrigando a ler mais de longe...

Laudo trabalha na obra desde 2001, e parece que são mais de 400 páginas que serão divididas em três álbuns. Trabalho de monge :)

Transcrevo aqui um email de felicitações que lhe enviei e ele devolveu com respostas, e acabou ficando com cara de entrevista ou bate-papo.



S - fala Laudo! beleza?
Acabei hoje o Yeshuah, inclusive teu posfácio e o prefácio, nessa ordem.
(que prefácio, heim? a tradutora mandou muito bem).
Vc cita o Geza Vermes, do livro "Jesus, o Judeu" eu curti muito.
Tem um outro que só folheei na livraria mas nao sei de quem é: tratava sobre o processo que condenou Jesus, pelo direito romano e as leis judaicas, tentando chegar a um julgamento segundo os parametros da época.

S - Nunca curti muito os apócrifos porque desconfio muito dos textos esotéricos - se oferecem como "a verdade oculta" mas são muitas vezes mistificações grosseiras.
Mas agora, vejo que podem ser muito interessantes como inspiração para a história do personagem Jesus.
A "moça aprendiz de Magdalit" tb é um achado e ajuda a ver os personagens com outros olhos).
L - Essa questão da Maria Madalena não ser apresentada como prostituta foi um dos pontos principais que pegou o Douglas e principalmente
o Mauro da Devir que é profundo conhecedor do assunto.


S- No começo me confundi, eram muitos nascimentos, muita mulher grávida, e nenhuma era Maria! :)
L - Pois é, Spacca, na história de Jesus há muitas Marias, pelo menos nos evangelhos canônicos. Veja, fora as Marias, mãe e Madalena, entra ainda
a Maria irmã de Marta, ambas irmãs de Lázaro. Essa eu tirei do roteiro e deixei só a Marta, por achar mesmo que era muito nome repetido e
iria causar confuisão com o leitor e por se tratar de uma versão minha, de um roteiro meu, me dei o direito.

S - Curti muito o dilema do José, muito bem desenvolvido.
L - Legal. Percebe que mesmo "aceitando" a condição de sua mulher, ele sempre, está com um olhar desconfiado.

S- Muito louco o teu livro: gostei de como os momentos que no evangelho são pá-pum, vc transformou em páginas de êxtase, de dor.
Como as páginas sem molduras com o José oprimido pela visão do anjo, o batismo xamânico e outros instantes em que vc revelou a força existente.
(tive a impressão de que no batismo a força de deus iluminou os chacras de Jesus).
L- Teve o Edu, um rapaz dos meninos do 4ºMundo que teve um tipo de "extase" quando leu essa parte do batismo. Ficou forte. Eu
mesmo, conforme conto no prefácio, tive um treco quando desenhei essa página ouvindo um som de um músico alemão ligado
às meditações do Osho.


S- Perturbadora a visão das cruzes com os cachorros arrancabdo pedaços dos cadáveres, as tripas caindo, Maria vomitando.
Muito forte mesmo.
L- A idéia, Spacca, era deixar uma imagem forte e pertubadora mesmo. Pois a igreja católica acabou deixando essa visão
do crucificado muito poética, muito bonita. E estudando mais afundo você óbviamente percebe que não. Inclusive a altura
das cruzes em relação ao chão é mais ou menos aquilo que foi desenhando, segundo algumas pesquisas.
O lance dos cães devorando os pés dos caras e as tripas era comum acontecer...eca!



S- Estranhei a falta do estábulo com a manjedoura, vc usou uma gruta, deve ter tido razões para isso.
L- Sim, claro. Burrinho, vaquinha é muito presépio e não queria isso. Foi meio baseado num evangelho Rosacruz e mesmo alguns apócrifos contam isso. Mas a questão foi mesmo minha de mostrar Maria sozinha parindo a criança e em pânico com essa coisa nova e seu questionamento com Deus.

S- Achei bastante curioso o lance dos soldados de um dos magos matar o informante de Herodes. Isso é viagem tua ou se baseia em relato?
L- Não. Isso é meu. A idéia era justamente mostrar o quanto a história dele estaria marcada com violência e sangue, mesmo ele chegando para trazer uma outra palavra. O texto que os magos falam enquanto a cena acontece lá fora da gruta justamente é o contrário do que está ocorrendo. E no final das contas, a igreja misturou tudo numa panela só.

S - Muito bom mesmo. Muitos deveriam ler teu livro para conforntarem a história conhecida com as coisas que vc descobriu ou inventou.
abração
sp
L- é isso.
Abração pro senhor também e deixou-me muito feliz!